Lilian Gonçalves relembra JK

Revista "tititi", 6 de Janeiro de 2006, nº. 382, pág. 35


Em São Paulo em outros estados, muitos conhecem a bela Lilian Gonçalves. 56 anos e famosa empresária da noite paulistana. Para alguns é novidade que esta mulher tão batalhadora tenha passado a infância no palácio do Catetinho, em Brasília, DF, onde viveu ao lado do saudoso presidente Juscelino Kubitschek, já que sua mãe< Maria Gonçalves, trabalhava lá. Lilian mudou-se para são Paulo aos 14 anos e conquistou o título de Rainha da Noite, por causa dos bares e restaurantes que abriu na cidade. Aos 30 anos, ela revelou ser a filha do saudoso cantor Nelson Gonçalves. Após publicar o livro A Vida Brilhando em Néon. Foi essa obra que inspirou a autora Maria de Adelaide Amaral a escrever uma das tramas centrais da minissérie JK. Na telinha, a empresária será interpretada por Mariana Ximenes. Aqui ela conta um pouquinho mais de sua vida.

Tititi - Quantos anos você tinha quando sua mãe virou cozinheira de JK?
Lilian - Seis. Ela vendia salgadinhos, bolos e doces nas ruas de Brasília, e eu, cafezinho para os candangos (operários da construção da capital federal). Um político, (não me lembro o nome), comprou um bolinho mineiro e levou para o presidente, que se apaixonou pelo tempero. A partir dali, JK chamou minha mãe para ser sua cozinheira.

Como era a vida no Catetinho e sua relação com JK?
Vida de criança normal. Eu ia com minha mãe para lá e não saía da cozinha. E o Juscelino tinha um xodó especial por mim, me pegava no colo e dizia: "Dana Maria, essa menina vai ser importante." Mas para mim, ele é que era especial. Sempre me tratou como alguém da família.

Qual foi o amor da sua vida?
Tive muitos homens, mas a primeira vez que amei na vida foi agora, aos 56 anos. Só não digo quem é (risos). Mas um dia vou revelar o meu grande amor, sim.

Nesses anos, como empresária da noite, você conheceu muitos homens famosos... já recebeu propostas indecentes?
Muitas (risos). Mas soube lidar bem com isso, só que sem arrumar inimigos. Enrolava e dava um jeito para transformá-los em bons amigos.

De volta a JK... Quem foi esse homem, na verdade?
O maior presidente que a República já teve. Grande inovador, articulador político e foi tragicamente morto, deixando saudades. Tanto é, que está sendo retratado na minissérie da Globo. Creio que sua morte não tenha sido acidental. Pois naquela época (1976) ser político era perigoso.